quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Fé Verdadeira

Existe a fé guardada no convento,
Existe a fé professa na igreja,
Existe a fé que vem do parlamento,
Impondo-se uma fé que se deseja.

Existe a fé que vem do nascimento,
Existe a fé herdada na peleja,
Existe a fé que vem do sofrimento,
Mas uma só é a fé que o ser almeja.

Aquilo que o querer em vão coteja,
Não vem da lei imposta num momento,
Não vem de tanto e humano pensamento.

A fé que está impressa cem por cento,
De Deus herdou o ser, inda que esteja
Em fuga desta fé. E assim seja!

Loures de Paiva
17.09.2009

Ser sábio e Ser Luz

Aquele que espera sempre alcança
A meta desenhada nesta vida.
Aquele que alimenta a esperança
Tem palma como prêmio merecida.

A luz que sempre brilha no horizonte
Difunde o brilho seu a tudo igual.
Aquele que, então, bebe dessa fonte
Exibe sempre a fronte purpural.

Tormenta se lhe vem é firme em rocha,
O pé nunca lhe foge e raramente
Sucumbe de águas turvas na torrente.

Ser sábio é saber levar a tocha
Que luza para si não simplesmente,
Mas seja para outrem reluzente.

Loures de Paiva
19.08.2009

Lágrimas da Natureza

No norte o gelo chora sem demora,
Do mar o nível sobe e a terra alaga,
A água do seu leito evapora
O vento em movimento aumenta a vaga.

A gente litorânea a Deus implora
Levar o vento à ordem e que não traga
A morte mais que vista nessa hora:
Que sopre só a brisa que afaga.

Se esse lacrimar da natureza
Não move deste mundo a realeza,
Que mova a si mesma cada gente

E busque preservar toda semente,
Legando à geração que vem à frente
A Terra como a fez a natureza.

Loures de Paiva
16.08.2009

Nova Terra, Nossa Terra

Da foz do Rio Tejo aberta ao mar
Atlântico que ao sul circunda a ponta
Partiram naus e velas a singrar
O azul que o revoltado vento afronta.

As Índias vão buscar no seu rumar,
Mirando desde onde o sol desponta,
E o vento fez-se calmo e fez parar
Dispersa toda Armada, quase tonta.

Cabral avança a frota em mar incerto,
Na busca de encontrar o rumo certo,
E avista monte alto em firme terra.

- Aqui portemos nós, o solo é perto.
- Deixemos nossas naus no mar deserto.
- Aqui descansareis, findou-se a guerra.

Loures de Paiva
16.08.2009

O Encontro de Amigos

Debaixo do anão verde coqueiro,
Na relva que ladeia uma piscina,
Sentado está Nivaldo, o anteneiro,
Poeta de trovar trova menina.

Ao lado está Loures quase herdeiro
Da trova reluzente, purpurina,
Ouvindo do poeta campineiro
A voz que respeitar tudo ensina.

Já Thomas da Suiça hospitaleiro
Limpava do churrasco o braseiro,
Depois de alimentar todos convivas.

E Nilson, Jotabê perto, e Mollica,
Proseiam um prosar que magnifica
O Encontro de Natal. E a todos Vivas!

Loures de Paiva
10.08.2009

Piau, Nosso Chão Pátrio

Na escarpa da colina foi fundada,
Pra pouso na estrada dos que ouro
Buscavam e levavam na lombada
Ferida, ensanguentada de seu touro.

Fundada foi Piau, hoje elevada
A vila, a cidade, um tesouro
Da estrada que real hoje chamada
Tem Rio de Janeiro nascedouro.

Inscrita no registro da história,
Dos filhos que se foram em memória
Eu canto para sempre sua glória.

Os filhos que descendem dos que foram,
Que ao longo das ruelas inda moram,
Os entes seus queridos rememoram.

Loures de Paiva
15.08.2009

Mandamento Rejeitado

O homem rejeitou o mandamento,
Ao ídolo curvou-se impertinente,
Lançou por terra o sábio fundamento,
Tirou de si inerte o ser temente.

Sua alma agora vaga num lamento
E a fé que sempre foi eternamente
A base a sustentar o sofrimento
Deposta foi de si veladamente.

Sem rumo, não vislumbra esperança,
Divina sem a lei não mais consegue
O prêmio de viver como criança.

Se o Alto conquistar já não persegue,
Mantém-se soterrado ao solo entregue,
Pungido ao tanger da própria lança.

Loures de Paiva
15.08.2009